sexta-feira, outubro 22, 2021

Gestão Emocional e Desenvolvimento Humano.

A gestão emocional e o desenvolvimento humano são conhecimentos e práticas que podem ser ampliados nas relações do indivíduo consigo mesmo, com o meio social, no trabalho e em todas as atividades na vida, inclusive na promoção e manutenção da saúde. Para tanto, o indivíduo necessita desenvolver algumas inteligências e competências, que o capacite no reconhecimento das próprias fragilidades emocionais e de pensamentos limitantes, os quais impactam negativamente em condutas e comportamentos cotidianos, prejudicando a tomada de decisões corretas na vida.

No Japão, a filosofia Omotenashi e o Pensamento Zen, partes inerentes àquela cultura, têm influenciado, favoravelmente, todos os segmentos da sociedade nipônica. Perceber, reconhecer e compreender as próprias emoções e as dos outros, favorecem às reflexões claras e objetivas, desenvolvendo conhecimentos na gestão emocional e comportamental, aumentando a capacidade de autopercepção e de autogestão com o objetivo de mudança de atitudes, de desenvolvimento de habilidades e do aumento da motivação. O aumento da empatia pessoal (magnetismo) e da valorização da consciência social (ética), próprios da filosofia Omotenashi e do Pensamento Zen, são frutos da autogestão emocional, da autoconsciência e da autopercepção existencial.

Empatia, ética e consciência geram expressivo aumento da capacidade de controle e gestão das interações pessoais e profissionais, elevando às competências de percepção, em si mesmo e nos outros, de fragilidades e de resiliência sem pensar, falar e agir. As habilidades e competências da filosofia Omotenashi e do Pensamento Zen, que podem ser desenvolvidas sob treinamento, aprofundam a visão sobre o outro e sobre o seu modo de pensar e agir, ou seja, de seu modo de ser, otimizando os relacionamentos interpessoais de sucesso em todas as áreas sociais.

Omotenashi おもてなし, é um termo japonês que significa cortesia ou hospitalidade japonesa, mas o seu conceito vai muito além disso. Trata-se de uma filosofia de vida, um hábito enraizado na cultura e na sociedade japonesa e aprendido desde a mais tenra idade. Omotenashi pode ser um princípio ético de promover o bem-estar alheio, envolvendo a antecipação das necessidades, a percepção dos detalhes, a gratidão sempre presente, a transcendência das expectativas e sem esperar nada em troca. Neste entido, é fundamental o desenvolvimento de inteligências, que possam dar sustentação a esse estilo de conduta, como a inteligência emocional, a inteligência intuitiva, a inteligência criativa, a inteligência transcultural, a inteligência social, a
inteligência cognitiva, a inteligência psicomotora, entre outras.

Zen 禅 é uma tradição japonesa budista cultivada, inicialmente, na China onde recebeu influências do Taoísmo e, posteriormente, migrou para o Japão, Vietnã e Coreia. A prática básica do Zen japonês é o Zazen (do japonês, “meditar sentado”), que é tipo de meditação contemplativa com o objetivo de levar o praticante à 指導おもも禅 “experiência direta da realidade”, através da observação da própria mente. Entretanto, um dos ensinamentos centrais do Zen é o Sutra do Coração (Hannya Shingyō 般若心経), ensinamento que descreve a essência da realidade da existência humana, da impermanência e da transitoriedade de tudo. Esse ensinamento desenvolve no indivíduo, através da meditação e de práticas de autoconhecimento, uma consciência existencial extraordinária, expandindo a capacidade de percepção das ilusões, da realidade do sofrimento humano e de sua transcendência.

Ao associar o Omotenashi (Gestão de pessoas) ao Zen (Desenvolvimento humano), chamado “o coaching japonês”, estamos integrando os mais autênticos princípios éticos de cortesia e de hospitalidade ao caminho que ilumina a mente e favorece a compreensão dos outros e de si mesmo. As habilidades e competências desenvolvidas com a prática da Meditacão do Coração (心の道 ) e dos exercícios éticos (Omotenashi) são o caminho para o desperta de inteligências fundamentais no campo da gestão do desenvolvimento humano.

Esses treinamentos surgiram da milenar cultura do Japão, tendo evoluído expressivamente com o tempo, desde o Período Jōmon (9.500 – 300 a.C.) até a contemporaneidade. A base da filosofia japonesa é caracterizada pela integração de elementos culturais nativos (Xintoísmo 神道) e oriundos da Índia e China (Budismo 仏教, Taoísmo 道教 e Confucionismo 儒教). Com isso, o Japão gerou um estilo único nas áreas da arte, da música, da culinária, do teatro, das tradições artesanais, dos esportes e até do desenvolvimento de know-how de alta tecnologia e produtividade, a qual elevou o País à segunda potência econômica do mundo por dezenas de anos.

Toda essa riqueza cultural é fundamentada em uma filosofia que rege a vida cotidiana do cidadão japonês com elevados valores éticos 倫理, de resiliência 回復, de princípios virtuosos, bem como o da harmonia 調和, da disciplina 修⾏, da hierarquia 序列の秩序, do respeito aos mais velhos 年配者尊敬, da coletividade 集団主義, da gratidão 感謝 e da consciência da impermanência de todas as coisas 無常観. Tais valores influenciaram a sociedade japonesa, impactando, favoravelmente, no comportamento cotidiano do cidadão japonês e difundindo-se para todos os setores artísticos, culturais, educacionais, laborais e sócio-empresariais.

Através dessa filosofia nasceram o Kaizen 改善, que estabeleceu as práticas de “melhoria contínua” no âmbito industrial e na gestão de negócios, além de extraordinárias virtudes no dia a dia do povo japonês, como o Ichi-go Ichi-e 一期一会, o Ishin-Denshin 以心伝心, o Wabi-Sabi 侘寂, o Nemawashi 根回し, o Honne e Tatemae 本 音 建前, o Kintsugi 金継ぎ, o Mottainai もったいない , entre outras.

Atualmente, há uma grande curiosidade com o Ikigai 生き甲斐, ou seja, a “razão de viver”, filosofia dos centenários da ilha japonesa de Okinawa, que além de promover a longevidade, tem otimizado a qualidade de vida dos idosos japoneses. Além dessas virtudes, os japoneses herdaram um rico código de ética oriundo dos antigos guerreiros samurais, que é o Bushidō 武士道, que enfatiza a honestidade, o respeito, a coragem, a honra, a compaixão, a sinceridade e a lealdade.

A filosofia Omotenashi influenciou todos os setores da sociedade japonesa, seja no âmbito das relações humanas e na prestação de serviços, seja na educação, no trabalho, na saúde, no esporte, na prática do coaching, e até nas gestões de segurança e de desenvolvimento social. O marketing do governo japonês para a promoção dos Jogos Olímpicos de 2020, em Tóquio, é Omotenashi.

Para se cultivar a filosofia Omotenashi no Ocidente é necessário a criação de projetos para implementar treinamentos e práticas, visando o aumento de conhecimentos e habilidades da filosofia oriental. Assim, poderá ocorrer mudanças de valores, que podem
possibilitar a expansão da consciência, valorizando virtudes e sabedorias, as quais aumentam o autoconhecimento e o bem-estar pessoal e social.

Dos Autores:

Prof. Dr. Sohaku Bastos é membro do OMOTENASHI INTERNATIONAL INSTITUTE, uma entidade internacional de educação e treinamento de pessoas, organizações, instituições públicas e privadas, formação de coaches e fomento de soluções transculturais de alta performance no Brasil e no Exterior.

Formado em Medicina Oriental, no Japão (1973), com Especialização em Acupuntura e Medicina Tradicional, e Mestrado em Psiconeurocinesiologia, no Japão; Prof. Sohaku é Bacharel em Medicina e Doutor em Acupuntura, no Sri Lanka (1995); possui Licenciatura em Filosofia e é Doutor em Filosofia Médica (Philosophiæ Doctor), tendo sido aprovado no International Examination of “Acupuncture Doctor” pela WFAS, vinculada à Organização Mundial da Saúde – OMS (China); é Psicoterapeuta com Pós-graduação em Psicanálise e em Neuropsicanálise; concluiu a Licenciatura em Pedagogia com Especialização em Docência do Ensino Superior, além de Especialização em Gestão Escolar e Coordenação Pedagógica; concluiu, também, o MBA em Gestão de Pessoas e Liderança Coaching, e é Bacharel em Teologia (Brasil) com Licenciatura Monástica Budista (Japão), Ex-Monge Zen-budista ( Ryōkō-In / Daitoku-Ji Monastery, Japão) e Monge Instrutor do Budismo Esotérico Shingon (Koyasan / Jochi-In Monastery, Japão).

Atualmente, é o Presidente do Instituto Cultural Brasil-Japão (ICBJ) e Diretor da Associação Brasileira de Educação (ABE),
além de Membro Acadêmico da Academia Nipo-Brasileira de Escritores. (ANBE) Dirigente universitário no Brasil, ele também
exerceu os cargos de Conselheiro Estadual de Educação do Governo do Rio de Janeiro (Câmara de Educação Superior e
Profissional) e de Conselheiro Titular do Conselho Estadual de Políticas Públicas sobre Drogas (SEPDQ) do Governo do mesmo
Estado. Há 19 anos exerce a função de Cônsul-Geral Honorário do Sri Lanka para o Estado do Rio de Janeiro. É o Diretor para
o Brasil e Vice-Presidente Adjunto Internacional para Assuntos Legislativos da World Federation of Acupuncture and
Moxibustion Societies (WFAS), em relação oficial com a Organização Mundial da Saúde (OMS), além de presidir no Brasil a
FEBRASA (Federação Brasileira das Sociedades de Acupuntura e Práticas Integrativas em Saúde).

Com mais de 60 anos de significativa vivência da cultura oriental, principalmente da cultura japonesa, viveu e estudou
no Japão, no Sri Lanka, na China e nos Estados Unidos, tendo introduzido a Eletroacupuntura Sistêmica e o Shiatsu Clínico, no
País. Tornou-se, também, experiente mestre nas artes marciais do Japão (Budō) – Karate, 9º Dan / Jiu-Jitsu, 8º Dan / Judô, 2º
Dan, as quais pratica desde 1958, tendo sido um expoente no assunto, no Brasil e no Exterior. Tendo grande experiência em transculturalidade médico-educacional e sócio-organizacional e grande conhecedor da filosofia japonesa de excelência nos relacionamentos interpessoais e de especial hospitalidade oriental, chamada de Omotenashi, Prof. Sohaku é pesquisador do método de Coaching Transcultural. O Coaching Transcultural tem sido um eficiente caminho de autoconhecimento, de gestão de pessoas / liderança Coaching, e de relacionamentos multiculturais, visando importantes mudanças de atitudes para um melhor desempenho psiconeurocomportamental com o escopo de cultivar o desenvolvimento da inteligência emocional e transcultural, visando atingir maior consciência do princípio de harmonia e resiliência em todas as situações existenciais. Desta forma, o Coaching Transcultural pode ajudar uma pessoa a alcançar a excelência na produtividade com grandes resultados na vida pessoal e no desempenho laboral em empresas ou em organizações, consoante as suas metas e intenções.

          

Prof. Roberto Tuji é membro do OMOTENASHI INTERNATIONAL INSTITUTE, uma entidade internacional de educação e treinamento de pessoas, organizações, instituições públicas e privadas, formação de coaches e fomento de soluções transculturais de alta performance no Brasil e no Exterior.

Graduado em Engenharia Mecânica com MBA em Gestão de Pessoas e Liderança Coaching, Roberto Tuji é Master and
Executive Transcultural Coach pela Graduate School of Master Coaches (EUA/UK/Austrália) ICI – International Association of
Coaching-Institute (EUA), ECA – European Coaching Association (Alemanha/ Suíca), GCC Global Coaching Community
(Alemanha) e Metaforum International. Ex-dekasegui (descendente de japoneses que viveu no Japão), morou durante 25
anos naquele País, onde adquiriu profundos conhecimentos da cultura e língua japonesa, tendo sido tradutor e intérprete.
Engenheiro de Projetos na multinacional Mitsui & Co, foi fundador e franqueador de uma rede de pizzarias no Japão, com
várias unidades, sendo um dos poucos empreendedores brasileiros a conquistar o tão rígido mercado japonês, devido aos
seus conhecimentos culturais e do comportamento do consumidor local.

Conviveu e trabalhou em longos projetos com profissionais japoneses, ingleses, americanos, indianos, irlandeses,
nigerianos, peruanos e filipinos. Adquiriu vasta experiência nos sistemas de gestão, comportamento e produtividade das
empresas japonesas, tais como: Kaizen, Lean, Ishin Denshin, 5S, Omotenashi, Kanban, Nemawashi, Just-in-time, dentre outros.
Um dos introdutores do “Omotenashi” no Brasil, filosofia japonesa de excelência nos relacionamentos interpessoais
acima do nível da hospitalidade tradicional, adquiriu ampla experiência em relacionamentos multiculturais durante sua
permanência no Japão, tornou-se, então, o criador do conceito “Coeficiente de Harmonia”, um assessment para avaliação do
nível de inteligência transcultural que oportunizou, por meio de estudos dos conflitos dos comportamentos culturais, o
desenvolvimento de um modelo de ferramenta com a finalidade de aumentar o desempenho quanto à adaptação cultural
dos imigrantes brasileiros na terra do sol nascente. Trata-se de uma poderosa ferramenta para o processo de Coaching
Transcultural em qualquer ambiente.

Atualmente tem realizado treinamentos e coaching transcultural para empresas japonesas como o Toyota, Honda e
Lexus. Coach transcultural para executivos e consultor empresarial para empresas japonesas e asiáticas que queiram se
instalar no Brasil, e precisam entender as relações transculturais entre esses países nos temas de: liderança, comunicação,
administração e gestão, a fim de evitar os choques-culturais, tão prejudiciais às organizações globais. Assessor da diretoria do
Instituto Cultural Brasil Japão (ICBJ), como coordenador da Academia Nipo-Brasileira de Estudos de Qualidade e Inteligência
Transcultural do ICBJ, com foco em empresas e negócios nipo-brasileiros. Amante e divulgador da língua e cultura japonesa,
pois tem o Japão como sua segunda pátria.